Nas tostas da Rosa me encontro aguardando a passagem planeada do tempo. Aproveito para arrumar as ideias e dar largas ao ócio, enquanto me deleito com a luz branca nabantina.
Vou-me divertindo com as conversas das mesas que me rodeiam, os piropos trocados entre prováveis septagenários, as desditas de pré e pós-noivas, trocando histórias de amigos que assemelham infedilidades pouco escondidas, à distância calculada de cinco metros.
Conversas de vestidos de boda, preços e alugueres, seguem intercaladas com o pisca-pisca aborrecido, de uma carrinho de baloiço de criança situado a um palmo, que me vai lembrando a passagem do tempo e a consciência do devir e da configuração tecnológica que marca este dealbar de século.
Alheia ao discurso afoito da mesa ao lado, uma jovenzita insiste em encavalitar-se no veículo imóvel, buscando recuperar a viagem conquistada há uns minutos, mercê de mais uma moedita dos avós que a acompanham. Não consigo conter uma impressão de surpresa ao verificar que o avô ainda vai dando umas puxadas num cigarro alvo e seco que lhe pende entre os dedos, congratulando-me com a sua feliz escapadela a uma das doenças que mais flagelaram o século passado.
Estranho, sempre que penso no século passado, vem-me à cabeça o número dezanove, em memorial romano, esquecendo-me momentaneamente que o cánone seguinte também já havia sido ultrapassado.
Começo a ficar sem tempo, por isso, escapo-me para a frente...
segunda-feira, 9 de março de 2009
Subscrever:
Mensagens (Atom)